Dezembro Laranja

Dezembro Laranja alerta para prevenção ao câncer de pele

O verão baiano convida as pessoas a aproveitarem os meses de calor e sol forte. Ainda que a pandemia imponha mudanças no comportamento da população e restrições no dia a dia, a expectativa é que as pessoas possam aproveitar um pouco mais as praias a partir de dezembro. Mas, além dos cuidados com o coronavírus, é importante ter atenção a outras doenças potenciais. 

O Dezembro Laranja busca alertar, justamente, para a prevenção ao câncer de pele. A campanha comandada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) desde 2014 reforça que esse é o tipo de câncer mais frequente no Brasil, com cerca de 180 mil casos registrados todos os anos. “O objetivo é alertar sobre as causas do câncer de pele e quais medidas podem ser adotadas para a prevenção, além de alertar a população sobre a importância de observar as “pintas” na pele em busca de características que podem ser encontradas nas lesões malignas”, explica a dermatologista do Grupo CAM Ana Carolina.

De acordo com a médica, a campanha deste ano vai dar atenção especial às crianças. “Os hábitos de exposição desde os primeiros anos de vida, irão impactar as chances de desenvolver o câncer de pele na idade adulta”, afirma Ana.

Um levantamento realizado ano passado pela SBD mostrou que o Nordeste é a região como terceiro maior registro de câncer de pele no Brasil: foram 7.556 entre 2013 e 2017. Já Salvador está entre as 10 capitais brasileiras com o maior número de casos, segundo a entidade. 
“Uma vez que o principal fator de risco para o desenvolvimento de câncer de pele é a exposição excessiva ao sol, num país como o Brasil, com alto índice de radiação UV e hábitos de exposição excessiva, é esperado um grande número de casos da doença”, explica a médica. 

Todos devem estar atentos aos cuidados, mas alguns fatores de risco potencializam o desenvolvimento da doença: pele e olhos claros, exposição excessiva ao sol (principalmente na infância e juventude), exposição a câmaras de bronzeamento artificial, história familiar de câncer de pele, imunossupressão, múltiplos sinais ou pintas e alterações genéticas.

Segundo a dermatologista, é fundamental estar atento a qualquer sinal, pois, se diagnosticado nas fases iniciais, o câncer de pele possui taxas de cura ultrapassam os 90%. Já para casos mais avançados, além de reduzirem as chances, são necessários tratamentos mais agressivos, que incluem cirurgias complexas, com resultados estéticos piores, além da necessidade de tratamentos adicionais, como quimioterapia, imunoterapia e radioterapia.

A médica diz que o diagnóstico da doença feito a partir do emprego da dermatoscopia, realizado por dermatologista treinado e experiente, aumentou muito a sensibilidade e especificidade do diagnóstico do câncer de pele, com a retirada de mais lesões malignas iniciais e evitando a retirada de sinais benignos. 

“A associação do mapeamento corporal com a dermatoscopia digital (com fotos da pele do paciente e de suas ‘pintas’) em pessoas com alto risco de desenvolver câncer de pele aumentou muito o diagnóstico precoce nesses pacientes. Tecnologias como a microscopia confocal, tomografia de coerência óptica e ultrassom de alta resolução tem se somado a esse esforço, em casos selecionados”, completa. 

Ana Carolina afirma que o principal e melhor tratamento para o câncer de pele é a cirurgia para a retirada completa da lesão. “Quando não é possível essa retirada completa ou quando ela acontece em estágios mais avançados, podem ser necessários tratamento de químio/imunoterapia, terapia alvo e radioterapia. Esse atendimento é prestado no SUS pelo CICAN (Centro Estadual de Oncologia), no HAM (Hospital Aristides Maltez), Hospital Santo Antônio”.

Mas, como o melhor remédio ainda é a prevenção, a dermatologista reitera os cuidados que as pessoas devem ter para prevenir o câncer de pele. “O principal fator de risco e o que pode ser evitado é a exposição excessiva ao sol, e esta medida deve se iniciar desde os primeiros anos de vida. O efeito carcinogênico da radiação UV leva décadas para se manifestar. Então, uma pele saudável após os 60 anos, quando a incidência de câncer de pele aumenta muito, dependerá muito dos hábitos de exposição na primeira infância e juventude”. 

Entre esses hábitos está o uso de protetores solares regularmente, roupas com proteção solar, chapéus e óculos escuros quando mais expostos, além de evitar exposições prolongadas, principalmente entre as 10h e 16h. “Para os profissionais que trabalham expostos ao sol, também é importante se preocupar com esses cuidados. A exposição crônica, além da queimadura solar intermitente, também está implicada no desenvolvimento de câncer de pele”, conclui Ana Carolina.
Editorial, 03.DEZEMBRO.2020 | Postado em Geral


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